Lesões de furca: classificação, diagnóstico e prognóstico
Entenda como classificar lesões de furca, conduzir o diagnóstico periodontal e avaliar seu impacto no prognóstico e no planejamento do tratamento.

Lesões de furca alteram a leitura do caso periodontal porque mudam o acesso à instrumentação, a resposta ao tratamento e o prognóstico do dente. Avaliar a extensão do envolvimento, a anatomia radicular e os sinais clínicos ajuda o dentista a definir uma conduta mais segura e coerente desde o início.
O que são lesões de furca?
As lesões de furca surgem quando a perda de suporte periodontal alcança a região de bifurcação ou trifurcação de dentes multirradiculares. A anatomia desse espaço dificulta a instrumentação e pode limitar o controle de biofilme. Por isso, reconhecer a extensão da lesão muda o planejamento clínico.
Como classificar lesões de furca?
Há diferentes sistemas de classificação. Entre os mais usados, a classificação de Hamp organiza o defeito pela perda horizontal de suporte:
• Grau I: perda horizontal menor que 3 mm.
• Grau II: perda maior que 3 mm, sem atravessar toda a furca.
• Grau III: perda de suporte de lado a lado, com comunicação completa pela furca.
A classificação de Glickman também aparece com frequência e divide o envolvimento em graus I a IV. Nela, o grau IV corresponde a uma lesão transfixante com recessão gengival e furca clinicamente exposta.
Como fazer o diagnóstico?
O diagnóstico começa com sondagem periodontal cuidadosa. A sonda de Nabers ajuda a explorar a entrada da furca e estimar sua extensão horizontal. Além disso, profundidade de sondagem, nível clínico de inserção, mobilidade, anatomia radicular e posição da margem gengival ajudam a interpretar o caso.
A radiografia complementa o exame, sobretudo para avaliar perda óssea e anatomia. Porém, sobreposições podem esconder ou subestimar o defeito. Assim, o clínico precisa interpretar a imagem junto aos achados clínicos.
Qual é o impacto no prognóstico periodontal?
Quanto maior o envolvimento, maior tende a ser a dificuldade de descontaminação, manutenção e controle da doença. Furcas classe II ou III também entram como fatores de complexidade no estadiamento atual da periodontite.
Ainda assim, a presença de uma lesão de furca não define sozinha a perda do dente. O prognóstico depende da extensão do defeito, anatomia, controle de biofilme, resposta ao tratamento, fatores de risco e possibilidade de manutenção periodontal. Na prática, classificar bem evita decisões baseadas apenas na aparência radiográfica.
Lesões de furca exigem leitura mais precisa porque sua extensão interfere no acesso, na escolha terapêutica e no prognóstico periodontal. Quando o dentista reconhece esses sinais com segurança, consegue planejar melhor. Na S&M, esse raciocínio faz parte de uma formação conectada à prática clínica real.



